Sexta-feira, 3 de Julho de 2009

O Seis de Espadas e o outro lado do rio





Al otro lado del río
Jorge Drexler
Composição: Jorge Drexler

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

El día le irá pudiendo poco a poco al frío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

En esta orilla del mundo lo que no es presa es baldío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Yo muy serio voy remando muy adentro sonrío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sobre todo creo que no todo está perdido
Tanta lágrima, tanta lágrima y yo, soy un vaso vacío

Oigo una voz que me llama casi un suspiro
Rema, rema, rema-a Rema, rema, rema-a

Clavo mi remo en el agua
Llevo tu remo en el mío
Creo que he visto una luz al otro lado del río

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

King of Pop




O que é belo não morre: transforma-se em outra beleza
Balley Ardrich

Quarta-feira, 24 de Junho de 2009

Cursos e Atendimentos de Tarô





Curso Básico ou Avançado de Tarô:





Aulas particulares ou em Grupo

A idéia de fazer aulas em grupo de no máximo quatro pessoas é a de diminuir custos para o estudantes ou tarólogos interessados.
O Curso Básico de Tarô tem a duração de quatro meses, aula uma vez por semana com duas horas de duração.
Se você tem amigos ou conhecidos interessados, entre em contato!
O curso tem por objetivo o aprofundamento da estrutura lógica de todos os Arcanos e Métodos, numa linguagem moderna e didática.

Investimento : 200,00 reais mensais por aluno. (Aula em Grupo)

Aulas Particulares : 250,00 reais mensais


Curso Básico de Tarô Online


Graças às novas tecnologias, o Tarô pode ser apresentado em um novo formato que possibilita que o conhecimento seja acessível a todos que desejam aprender um novo saber.
Encurtando as distâncias entre cidades e outros estados, o curso de Tarô Online, permite ao aluno a possibilidade de fazer um curso em casa, confortavelmente instalado em sua intimidade, sem a preocupação com trânsito, estacionamento ou falta de tempo.
O fato de o conhecimento ser passado via voz ou imagem não inviabiliza a seriedade dos estudos e para isso é necessário que os alunos interessados tenham à mão um Tarô completo e como referência de livro de pesquisa e estudo, sugiro o “Curso Completo de Tarô – Nei Naiff – Ed. Nova Era, que inclui os 78 Arcanos do Tarô. O livro pode ser adquirido pela Editora Nova Era (21) 2585-20-02 sem sair de casa e em outras livrarias online.

O curso será efetuado pelo SKYPE via voz. Para quem não possui o Skype, ele é simples e fácil de instalar. Maiores informações para a instalação do Skype você encontra aqui:http://www.baixaki.com.br/download/skype.htm

Duração do Curso: Quatro meses, aula uma vez por semana com duas horas de duração.

Investimento: 160,00 reais (mensal)
Número mínimo de participantes: Três

É necessário que os interessados entrem em contato para agendarmos o melhor dia e horário para o bem – estar da turma.

Maiores informações:
Tel: (11) 3085-9994 ou no e-mail: veratarot@gmail.com


Consultas de Tarô com hora marcada

«Porque não haverá de alma para alma uma comunicação oculta?»
Fernando Pessoa

Realizo dois tipos de consultas presenciais:

Tarô e Mapa Astral -

«O Ser Humano é um Ente. Esse ente tem que cumprir um destino.»

A consulta tem a duração de duas horas onde utilizo vários métodos de tiragens com as cartas do Tarô. Inclui ainda o Mapa Astral e as planilhas de previsões astrológicas. Um Saber complementa o outro dando uma boa direção ao consulente.
O atendimento é feito com hora marcada e com a solicitação dos dados de nascimento para a realização do Mapa Astral.
Como funciona?
O Mapa Astral permite uma análise muito apurada do temperamento humano.Ele dá dicas muito profundas de como observamos o meio - ambiente e como agimos frente as situações cotidianas.Permite ao astrólogo uma lente de aumento sobre o seu cliente, indicando os melhores conselhos para que este tenha mais qualidade de vida e fique consciente de suas habilidades e difilcudades.
As previsões astrológicas permitem orientar o cliente de uma forma clara e segura sobre o futuro de seus caminhos, seja no setor profissional, afetivo e espiritual.

Investimento: 180,00 reais

Atendimento de Tarô com hora marcada

Vários métodos de tiragens com o Tarô focando os vários setores da vida , profissional, afetivo, espiritual, mental...
Investimento : 130,00 reais
Duas horas de Consulta

Atendimento Online de Tarô

As consultas são feitas através do MSN ouSKYPE, via microfone, com vídeo ou sem vídeo.
O atendimento e o agendamento da consulta é realizado após o depósito bancário.
Duração da Consulta: Uma hora e trinta minutos
Preço da Consulta: 100,00 reais.

Email: MSN: verachrystina@hotmail.com
Skype: Vera Chrystina da Costa Santos (Veratarot)

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Vera Chrystina
Taróloga e astróloga
Tel: (11) 3085-99-94
E-mail : veratarot@gmail.com
Visite : http://tarotestudos.blogspot.com/

O processo simbólico é uma forma superior de comunicação. Fernando Pessoa

Terça-feira, 23 de Junho de 2009

Curso completo de terapia holística e complementar






Curso completo de terapia holística e complementar

A obra ressalta a importância da terapia holística, fundamental para o processo curativo e a harmonia entre corpo, mente e espírito. Livro em forma de curso, dividido em 17 lições, acrescidas de 7 textos complementares, mais de 80 exercícios práticos e 170 questões de múltipla. Um rico compêndio das principais terapias: meditação, aromaterapia, cristais, florais, ervas medicinais, cromoterapia, muscoterapia, incenso, radiestesia, anatomia energética (chacra, aura, meridiano).

Publicado pela Editora Nova Era. Tamanho 16X23, 364 páginas. Valor sugerido R$32,90

Os Caminhos da Magia e do Misticismo





Os caminhos do Misticismo e da Magia são muitas vezes caminhos de engano e erro.

Iniciação
Os caminhos do Misticismo e da Magia são muitas vezes caminhos de engano e de erro. O Misticismo significa essencialmente confiança na intuição; a Magia significa essencialmente confiança no poder. A intuição é uma operação da mente pela qual os resultados da inteligência são obtidos sem o uso da inteligência. O poder, no sentido do poder mágico, é uma operação da mente pela qual os resultados do esforço contínuo são obtidos sem o uso do esforço contínuo. Ambos, porém, por mais tempo que levem a operar, são atalhos para o conhecimento. Em certo sentido, tanto o Misticismo como a Magia são confissões de impotência. O místico é um homem que sente que não tem em si a força do pensamento para atingir a verdade pelo pensamento. O mágico é um homem que sente que não tem em si a força de vontade para atingir a verdade (ou o poder) pela força de vontade. A rapariga ociosa que adivinha ou que se deita a adivinhar coisas é uma mística dentro do seu campo superficial; é demasiado preguiçosa para tentar saber. A camponesa que tenta reter o amor do marido por meio de encantamentos e poções é um mágico dentro das suas fronteiras estreitas; ela é demasiado ignorante e demasiado fraca para intentar atingir o seu fim por encantamento directo, por sedução permanente. Em ambos os casos há uma evasão.
Isto não quer dizer — ou, pelo menos, não precisa de querer dizer — que os resultados do Misticismo e da Magia estejam necessariamente errados. Quer dizer, contudo, que não há nenhum critério pelo qual possamos distinguir entre um resultado errado e um resultado certo num caminho ou noutro. Na Gnose, onde empregamos o intelecto, temos, pelo menos, o lastro do raciocínio; podemos, pelo menos, comparar um «resultado» com outro, examinar se eles são contraditórios, quer cada um em si, quer em referência um ao outro. Podemos não raciocinar bem, mas raciocinamos. Se errarmos, é porque nos enganamos e não porque estejamos errados, como nos outros dois caminhos. É como quando se soma mal; a falha não está em somar, mas em não somar bem; somar é, porém, o sistema correcto para obter um total.
Isto ficará claro, se formos buscar exemplos simples, podíamos dizer correntes, ao Misticismo e à Magia. Um caso simples de Misticismo é o tipo comum de intuição a que se chama «palpite» em linguagem vulgar.
Uma pessoa tem um palpite de que em certo número terá o primeiro prémio da lotaria. De vez em quando o palpite sai certo, mas todos sabemos que, por cada vez que sai certo, há milhares de vezes em que sai errado. Se assim não fosse, um clube de apostas não seria o grande negócio que sempre é. Neste caso, na verdade, há um caminho fácil para verificar a exactidão do palpite: a lotaria, uma vez extraída, mostrá-lo-á. Mas como é que se há-de provar ou refutar o palpite do místico de que atingiu a unidade com Cristo? Ele diz que sabe, que sente... Mas o louco que se julga Cristo ou rei de certo país está tão seguro disso como o místico da sua intuição.
Tomemos, de novo, um caso simples de Magia — o espiritismo. O espiritismo é magia, porque é evocação dos espíritos dos mortos a esta vida. Faz-se uma sessão, evoca-se o espírito do falecido X, a voz do médium, a mesa pé de galo ou a prancheta anuncia que ele apareceu. Como é que sabemos que sim? A comunicação de coisas conhecidas somente de um dos presentes pode ser uma projecção da mente desse que está presente. A comunicação de coisas somente conhecidas do falecido e depois verificadas pode ser uma comunicação de alguma força ou mesmo espírito, outro que não o do falecido. E quando o espírito dá informação da sua morada presente, por que método nos asseguraremos se essa informação é certa ou errada? Não digo que tudo o que emerge numa sessão ou que emergiu em sessões esteja errado. Nem digo que esteja certo: digo que não há meio de conhecermos a origem da informação assim recebida, e quando a informação diz respeito a outros mundos ou a coisas de outro modo não verificáveis neste, não há meio de conhecermos a sua origem ou a sua verdade.

s.d.

Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética - Fragmentos do espólio. Fernando Pessoa. (Introdução e organização de Yvette K. Centeno.) Lisboa: Presença, 1985. - 63.
“Ensaio sobre a Iniciação.” Ocul-ensa.: Maria Helena Rodrigues de Carvalho

Ilustração : A Lua - Tarô de Marselha

O Perigo





«Os caminhos do simbolismo são cheios de ilusões, de devaneios e de fraudes.»


Átrio.
O caminho dos símbolos é perigoso, porque é fácil e sedutor, e é particularmente fácil e sedutor para os de imaginação viva que são precisamente os mais fáceis de induzir-se em erro e, também, de romancear para os outros, formando fraudes por vezes inocentes, por vezes um pouco menos que isso. Nada há mais fácil que interpretar qualquer coisa simbolicamente; é ainda mais fácil que interpretar profecias.
Sucede, ainda, que os grandes símbolos são relativamente simples, prestando-se assim a uma série infinita de interpretações Figure-se o leitor, imaginando, quantos valores simbólicos se não poderão atribuir às duas colunas no átrio do Templo de Salomão, ou, aliás, a quaisquer duas colunas em qualquer parte. Tudo quanto, na vida ou no sonho, é composto de uma dualidade — e quase tudo na vida ou no sonho envolve uma dualidade qualquer —, tudo isso se pode supor simbolizado por aquelas duas colunas. Elas, porém, não podem destinar-se a simbolizar tudo quanto se queira. Algum, ou alguns, hão-de ser os veros sentidos íntimos delas. O que se pergunta, pois, é isto: que critério temos nós para determinar, entre tantos símbolos possíveis, quais são os que são deveras aplicáveis, os verdadeiros?
Para isto existe o critério do quíntuplo sentido: cada coisa tem na simbólica, cinco sentidos; e esses cinco sentidos estão uns dentro dos outros, sendo cada um o desenvolvimento do anterior. Quando Pike diz que há, para a maioria dos símbolos maçónicos quatro atribuições distintas, diz bem, pois, como é de ver, exclui o sentido literal, ou profano, que é o primeiro dos cinco e não entra na consideração dele. Quando, porém, passa a dizer que um é o sentido moral, outro o político, vai mal, pois que o sentido político não é o desenvolvimento do sentido moral, mas uma coisa de outra ordem.
s.d.
Fernando Pessoa e a Filosofia Hermética - Fragmentos do espólio . Fernando Pessoa. (Introdução e organização de Yvette K. Centeno.) Lisboa: Presença, 1985. - 51.
“Átrio”

Ilustração : Radiant Waite - Sete de Copas

O Símbolo





O processo simbólico é uma forma superior de comunicação.


Há três maneiras de ensinar uma coisa a alguém: dizer-lhe essa coisa, provar-lhe essa coisa, sugerir-lhe essa coisa. O primeiro processo é o processo dogmático; emprega-se legitimamente ao ensinar coisas sabidas e provadas a criaturas incapazes, por infância ou ignorância, de compreender as provas, se se apresentassem. Assim se ensina gramática às crianças ou aos pouco instruídos, sem entrar em explicações, que seriam inúteis e resultariam frustes, sobre os fundamentos lógicos ou filológicos da gramática.
O segundo processo é o processo filosófico; emprega-se legitimamente para transmitir a pessoas com plena formação mental certos ensinamentos, ou cientificamente assentes mas desconhecidos do discípulo, ou puramente teóricos e que portanto ele tem que compreender em seus fundamentos, para os poder criticar.
O terceiro processo é o processo simbólico; emprega-se legitimamente para transmitir a pessoas com plena formação mental ensinamentos que exigem a posse de qualidades mentais superiores ao simples raciocínio, e o símbolo é dado para que essa pessoa, recorrendo ao que nela haja de embrionário dessas qualidades, ao mesmo tempo as desenvolva em si e vá compreendendo, por esse mesmo desenvolvimento, o sentido do símbolo que lhe foi dado.
O primeiro processo dirige-se à memória e chama-se ensino; o segundo à inteligencia e chama-se demonstração; o terceiro à intuição. A este terceiro processo chama-se iniciação.

II
Um símbolo é uma coisa exposta em termos de outra coisa, entendendo-se que a segunda (meio de expressão) é por natureza inferior à primeira (coisa expressa).

s.d.
Pessoa por Conhecer - Textos para um Novo Mapa . Teresa Rita Lopes. Lisboa: Estampa, 1990. - 84.

http://multipessoa.net/labirinto/ocultismo/5

Quinta-feira, 18 de Junho de 2009

As perdas e o Cinco de Ouros





O Cinco de Ouros traz uma grande perda para a felicidade e a auto - estima.
Esta carta representa o infortúnio, a carência material, que faz com que a alma se afaste de sua fonte.
Os nossos governos acorrentam as pessoas na pobreza, na miséria, na carência de estudos e moradia.
A música de Pedro Abrunhosa é um soco no estômago e cabe muito bem neste Arcano.



Ilustração : Cinco de Ouros - Tarot Rider - Waite

Quarta-feira, 17 de Junho de 2009

O que existe no sótão?





Olho de peixe

Composição: Lenine
Ilustração : A Sacerdotisa - Tarô Alquímico

Permanentemente, preso ao presente
O homem na redoma de vidro
São raros instantes
De alívio e deleite
Ele descobre o véu
Que esconde o desconhecido,
O desconhecido
E é como uma tomada à distância
Uma grande angular
É como se nunca estivesse existido dúvida,
Existido dúvida
Evidentemente a mente é como um baú
E homem decide o que nele guardar
Mas a razão prevalece,
Impõe seus limites
E ele se permite esquecer de lembrar,
Esquecer de lembrar
É como se passasse a vida inteira
Eternizando a miragem
É como o capuz negro
Que cega o falcão selvagem,
O falcão selvagem

Se na cabeça do homem tem um porão
Onde moram o instinto e a repressão
(diz aí)
O que tem no sótão?
O que tem no sótão?
O que tem no sótão?

Se na cabeça do homem tem um porão
Onde moram o instinto e a repressão
(diz aí)
O que tem no sótão?
O que tem no sótão?
O que tem no sótão?

O que tem no sótão?
O que tem no sótão?
O que tem no sótão?

Uma das características da Sacerdotisa no plano mental é não revelar aquilo que pensa. Essa música de Lenine cai como uma luva para a introspecção da alma da nossa Sacerdotisa.

Quinta-feira, 11 de Junho de 2009

Um pequeno estudo sobre o método no Tarô



QUARTA-FEIRA, 10 DE JUNHO DE 2009

Uma nova proposta para a leitura da Cruz Celta

Rogério Novo

Em função da pesquisa que venho fazendo, ousei fazer algumas modificações na distribuição das Casas, tentando adequá-las à Geometria Sagrada, e na forma de sua leitura, para que eu ritmo seja mais fluente. As experiências que fiz resultaram positivas, então estou a repassar agora a nominação das Casas como as tenho usado na leitura. Evitarei dar exemplos concretos, pois as experiências foram em leituras muito pessoais, e assim abrem-se as portas para as experimentações de cada um que queira testá-la.

O diagrama é o que está no final do artigo publicado no site do Clube do Tarô, onde o tema foi abordado com mais profundidade,acima reproduzido.


Passemos então à explicação de cada Casa.

Casa 1: deve ser vista, e interpretada, como a própria essência da consulta, a questão em si. Acredito que o atributo principal do arcano que aí estiver é o mais apropriado para identificar essa Casa, não importando em qual plano (material, mental, sentimental ou espiritual) esteja a pergunta, pois ele suplanta todas essas “restrições”;

Casa 2: deve ser interpretada como uma "advertência", pretendendo indicar qual a atitude que o consulente deveria tomar para dar força à Casa 1, ou seja, é o comportamento que falta ao consulente para dar plenitude à Casa anterior, por isso estar cruzando a anterior. Não consigo imaginá-la como um “obstáculo”. É, antes de tudo, uma identificação da atitude que está ausente ao consulente;

Casa 3: representando a base da questão, o que o consulente já conhece (ou tem consciência) sobre o assunto e sua interpretação combina mais com o plano mental do arcano;

Casa 4: representando o que está “sobre” a questão, o que o consulente não conhece (ou não tem consciência) sobre o assunto, por isso estar colocada “longe” dele, também se adequa melhor quando interpretada pelo plano mental;

-Casa 5: colocada à esquerda das centrais, por representar o passado recente, é melhor analisada pelo plano material. Embora já tenha dito que essa temporalidade pode ser traiçoeira, acredito que se pode partir de um período de até três meses anteriores à data atual;

Casa 6: colocada à direita das centrais, representará o futuro imediato, também sendo melhor analisada pelo plano material, e pode seguir o mesmo padrão de temporalidade da Casa anterior, só que se projetando para um período de até três meses da data da consulta;

Casa 7: analisada pelo plano material, mostrará como o consulente está se portando em relação à questão, como ele a está vendo, como ele está agindo;

Casa 8: acredito que a melhor nominação para essa posição seria a Casa dos relacionamentos, ou seja, como o consulente está se relacionando com seu grupo social, familiar ou extra-familiar, e, interpretada pelo plano material, mostrará como isso vem acontecendo, se o apoiando ou o desaprovando;

Casa 9: vários autores denominam essa Casa como “esperanças e temores”. Sempre tive certa prevenção contra essa denominação, pois essas duas “sensações” são antagônicas. Ou se tem “esperança” (fé, desejo de algo aconteça, confiança em alcançar uma coisa), ou se tem “temor” (acreditar que algo ruim vá acontecer, ter medo de alguma coisa).

Como já é de consenso geral, todo arcano tem dupla polaridade. Assim, se denominarmos a Casa como “Esperança”, um arcano que “cair” ali já indicará se essa esperança é “positiva” ou “negativa”. Da mesma forma ocorrerá se a denominarmos “Temores”.

Agora, deixarmos nessa dubiedade, o conflito resultará evidente, pois é inevitável que o consulente não esteja ansioso em ter uma resposta à sua dúvida, senão ele não estaria ali sentado à sua frente, esperando (positivamente) ou temendo algo. Então, se ali tivermos um arcano bem aspectado, a que ele estará se referindo? À efetiva realização da “Esperança” ou à concretização do “Temor”? E caso a conjugação dos arcanos seja desfavorável? Estará desfavorável a qual das “sensações”?

Em função dessa análise passei a identificar essa Casa como Expectativas. É a palavra que melhor exprime a sensação a ser identificada nessa posição e que não gerará qualquer conflito na interpretação, podendo esclarecer a situação com a correta interpretação do arcano que ali estiver, e que acredito deva ser feita pelo plano material, pois, apesar de a sensação ser um “sentimento”, a sua identificação implicará numa atitude (material);

Casa 10: é o Resultado. Interpretado pelo plano material, dará a resposta mais adequada à solução da questão posta pelo consulente, se a pergunta é procedente ou não.

Observações importantes:

1) não uso uma carta “significadora” (aquela que alguns autores colocam sob a Casa 1 já virada para cima), seja para identificar o consulente, seja para representar a questão; escolhida previamente ou “sorteada” do monte.

E isso se deve, fundamentalmente, a duas explicações básicas: a) o consulente já será, naturalmente, identificado na Casa 7, e b) a questão já é a essência da Casa 1, e que pode ser ampliada pela conjugação com as Casas 3, 4 e 9;

2) também não pratico a leitura “invertida” das cartas, por considerá-la supérflua, face à dupla polaridade dos arcanos, já mencionada acima, e que resultaria na mesma informação;

3) várias outras combinações podem, e devem, ser feitas para ampliar a leitura.
Por exemplo, as Casas 3 e 5 poderão indicar o motivo da questão (Casa 1); ou então as Casas 2, 7 e 8 para explicar as suas expectativas (Casa 9); e até as Casas 2, 3 e 4 para lançar uma luz sobre o futuro imediato (Casa 6);

4) qualquer Casa poderá, e às vezes necessitará, ser interpretada, também, como um “conselho”. Isso dependerá exclusivamente da sensibilidade do leitor, que poderá perceber uma situação “desaconselhável” ao consulente.

Um exemplo disso seria um Carro na Casa 6, prevendo um futuro imediato, um Diabo na Casa 7, que poderia estar a indicar uma atitude ilícita por parte do consulente, e que poderia se refletir numa Torre na Casa 10, numa questão que envolvesse uma expectativa de promoção no emprego. Ele tenderia a agir inconseqüentemente, sendo efetivamente promovido, mas tendo sua atitude descoberta e até demitido por causa disso.

Caberia, então, um aconselhamento, no sentido de explicar ao consulente que ele deveria rever suas atitudes para não cair no ridículo, prejudicando seu futuro profissional.

- Com relação às combinações possíveis para se dar exemplos, seria impraticável pelo menos chegar perto de esgotar as alternativas, pois implicaria numa fórmula matemática que teria a seguinte estrutura: 22!/12!x10! x 56!/46!x10! Além do mais, qualquer tentativa nesse sentido desestimularia o interesse em testar essa nova configuração!

5) Com relação ao Sistema a ser usado, aconselho o conhecido por “Europeu”, pois o arcano maior indicaria a “situação” e o arcano menor a “manifestação”, trazendo maior riqueza de informações à leitura.

Acredito que o Sistema denominado Italiano é um pouco restrito, pois poderia retirar até 3 naipes, e elementos, do jogo.

Já o Sistema “Americano” me causa certo arrepio, pois, mais das vezes coloca um arcano menor se contrapondo, pretendendo até a “negar” um arcano maior, o que já é de consenso ser inadmissível;

6) a disposição das cartas voltadas para o consulente tem se mostrado muito produtiva, dentre outros fatores, fundamentalmente por estar mais consoante à Geometria Sagrada.

Acho que com essa “conclusão” poderei deixar mais clara a minha intenção de demonstrar a importância da adequação do método à Geometria Sagrada, e minha tentativa de despertar em cada um o “bichinho” da curiosidade que poderá levar-nos refletir cada vez mais sobre esse instrumento maravilhoso que é o Tarô! E enquanto isso continuo minha pesquisa comparativa entre mais de 25 esquemas expostos por mais de 20 autores.

Grato pela paciência de todos!

Belo Horizonte, 8 de junho de 2.009

Contato com o autor:
Rogério Novo - rabnovo@yahoo.com.br


Ilustração de Leca Novo

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

A Torre e sua história






O temido arcano XVI sempre me intrigou. Pesquisando sobre o Tarô, encontrei um texto de Helen Farley, que menciona a família Della Torre, como inspiração para o Arcano XVI.
A frase curta de Helen pareceu-me legítima e verdadeira. Existem tantas referências ao Arcano XVI, tais como Torre de Babel, A Torre Fulminada, A casa de Deus, etc...
Intrigada, fui pesquisar na história, a melhor fonte para se entender o tarô do que os manuais ocultistas e suas analogias.
A família Della Torre era de origem milanesa e no século XIII foi governante de Milão.
Martino Della Torre se tornou senhor perpétuo e foi sucedido por Napoleone Della Torre, entre os anos de 1265 a 1277. Como na vida tudo tem começo, meio e fim, o anseio da família Della Torre (Torriani) continuar no poder foi despedaçado e o que era um sonho, tornou-se pesadelo, com a nomeação em Arcebispo de Milão, um membro da família rival, os Visconti, em 1262.
A família Della Torre ficou no poder durante quinze anos lutando com todas as suas armas, contra a tomada da posse de sua Sé Arcebispal, mas, foram derrotados pelos Visconti em Desio em 1277 e em 1281, perto de Vaprio.
Após um breve exílio, os Torriani regressaram a Milão (1302) e em 1308 já haviam se restabelecido, tendo Cassione Della Torre como arcebispo e Guido Della Torre como senhor perpétuo, mas, não sobreviveram à chegada do Imperador Henrique VII à Itália. Após a frustrada Revolta Torriani de 1311, sufocada pelo Imperador e pelos Visconti, Matteo Visconti, foi nomeado vigário imperial em Milão, e os Torrioni nunca mais voltaram à cidade.
Vocês têm alguma dúvida sobre a simbologia do Arcano XVI?
Eu não e me sinto aliviada...
Nada como a história para elucidar fatos!

Fontes: J.K. Hyde – Society and politics in Medieval Italy (1973)
M. Mallet – Mercenaires and their masthers (1974)
Dicionário da Idade Média – Jorge Zahar Editor
Ilustrações: Visconti Tarot (US Games)- Cary-Yale Visconti

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Relíquias





Uma bela jarra do reinado de Louis XV (1749) que retrata a febre dos jogos de cartas.

Fotografia de Frédéric Magnoux

Relíquias do Tarô





Prato : Jogadores de Tarô
Século XV
Faiança do final do século XV
Paris - Museu do Louvre

Uma prova incontestável do uso lúdico do Tarô.

Domingo, 24 de Maio de 2009

As Sacerdotisas do futuro





As Sacerdotisas do Futuro - João do Rio

O futuro é o deus vago e polimorfo que preside aos nossos destinos entre as estrelas, o incompreensível e assustador deus dos boêmios nas caravanas da Ásia, a Força oculta, o perigo invisível. Hugo e Alencar acreditavam nessa divindade, e não há entre os deuses quem maior número tenha de sacerdotes e de sacerdotisas.

Só os cultores do Futuro, podem modificar a fatalidade, afastar a morte, sacudir o saco de ouro da fortuna, soltar o riso da alegria na tristeza dos séculos. As sacerdotisas do Deus tremendo infestam a nossa cidade, tomam conta de todos os bairros, predizem a sorte aos ricos, compõem um mundo exótico e complexo de cartomantes, nigromantes, sonâmbulas videntes, quiromantes, grafólogas, feiticeiras e bruxas.
Essa gente cura, salva, desfaz as desgraças, ergue o véu da fortuna, faz esperar, faz crer, vive em prédios lindos, em taperas, em casinholas - é o conjunto das pitonisas modernas, as distribuidoras de oráculos. Em meio tão variado há de haver ignorantes - a maioria - cartomantes que vêem nas cartas caminhos estreitos e caminhos largos e não sabem nem distribuir o baralho, sonâmbulas falsificadas, portuguesas e mulatas que se apropriam dos moldes dos africanos, e mulheres inteligentes que conversam e discutem.

Freqüentei os templos do futuro. Só em uma semana visitei oitenta, encontrando-os sempre cheios de fiéis. O caleidoscópio alucinante das adivinhas faz a vida livremente. Em algumas casas encontrei três e quatro, girando sob uma única firma.

Só na rua do Hospício, por exemplo, há cinco ou seis. Nos outros pontos conversei com Mme. Jorge na rua da Ajuda, a Liberata na rua da Alfândega, a Joana Maria da Conceição na rua Figueira de Melo, a Amélia de Aragão, a Luiza Barbada na rua Barão de S. Felix, a Amélia do Pedregulho, a Amélia Portuguesa, a Cândida, a Mme... da rua dos Arcos, 4, a Ximenes da rua da Prainha, 19, Maria de Jesus na rua Dr. Maciel, 7, Castorina Pires em S. Diogo, a Amélia da rua do Lavradio, dona Martins na rua Mariz e Barros, a Alexandrina na rua da América, Mme. Hermínie na rua Senador Pompeu, Maria Baiana na rua do Costa, a Genoveva da rua do Visconde de Itaúna, Dona da rua da Imperatriz, 15, a Corcundinha célebre adivinha de atores e de repórteres, na deixa um rol infindável. Todas falam do seu desinteresse exigindo dinheiro e algumas vendo o futuro nas mãos, nem ao menos sabem as linhas essenciais segundo o engraçadíssimo Desbarolles. A observação nessas casinholas é incolor. Fica-se entre os feitiços dos minas e a magia medieva, numa atmosfera de burla.

Mas é lá possível não acertar às vezes? A vida humana tem uma linha geral. Tanto amam as heroínas de Bourget como as lavadeiras, gozam e gostam de ser gozados os freqüentadores da haute-gomme com os dançarinos dos becos esconsos. As vidas têm uma parecença em bloco, uma uniformidade de sentimentos. Por mais ignorantes que sejam, as sacerdotisas têm o hábito da observação, indagam da vida antes, em conversa. Muitas chegam a perguntar:

- Vem por dor ou por amor?

E como sabem perfeitamente quando se dirigem a um cavalheiro, a uma dama, às coccottes ou aos rufiões, as suas respostas acertam. É um exercício de atenção, antes de tudo, com cenários e pedidos sugestivos. Uma delas recebe velas de sebo, terminada a consulta; outras, peças de chita. A turba dá-lhes dinheiro, e sussurra os seus segredos nos ouvidos dessa gente que são como abismos de discreto silêncio.

Na peregrinação pelos templos do Deus Futuro guardo como originais uma casa de cartomancia na rua do Ouvidor entre as modistas do tom e a elegância máxima, a Ceguinha vidente da rua da Misericórdia, a Rosa que olha nágua e é astróloga, Mme. de F. sonâmbula numa rua paralela à praia de Botafogo, a Corcundinha da rua General Câmara e a esquisita Mme. Matilde do Catete.

A Ceguinha tem a face macerada e é a exploração de quatro ou cinco. Vive numa cadeira, com os olhos cheios de pus. O grande Deus fez-lhe a treva em torno, para melhor ler a sorte dos outros nos meandros do céu. Dizem que os agentes da polícia vão lá para saber o paradeiro dos gatunos e que os gatunos também vão a ver se escapam. Imóvel como um santo indiano à porta da imortalidade, a Ceguinha, com a mesma dutilidade, desvenda-lhes o Futuro. Às vezes aparecem senhoras. A Ceguinha curva-se, e pinta o Destino com a mesma calma dolorosa.

A Rosa, com as fontes saltadas, o que em magia se chama cornos de Moisés, é um assombro de observação. Esse exemplar único de astrologia conhece mesmo algumas práticas antigas. Quando a fomos procurar, olhou-nos bem.

- Por que veio, se nunca acreditará?

- Estou numa situação difícil.

- Ouça a voz de Deus.

- Mas a minha alma sofre.

- O homem tem muitas almas...

- Mas se posso saber o futuro nágua?

- A água é onde se miram os astros que têm a vida da gente.

- Como se consulta?

- Vendo... Alguns astros de outrora não têm mais importância hoje: outros receberam-lhe a força. Os meus horóscopos são certos; o Destino ordena-me. Mas eu só falo com os homens que a dor faz tristes e crentes.

A Corcundinha, discípula de uma Josefina, tem uma fama tão grande que chega a deitar cartas por dia, às vezes para mais de cinqüenta pessoas. Cada consulta custa cinco mil réis e ela só anuncia coisas lúgubres.

Mme. de F... esteve na Inglaterra; em estado natural discute o psiquismo, e quando sonambulizada aparece numa túnica preta. Dizem que predisse os acontecimentos da nossa polícia e prevê um futuro desagradável da pendência brasileira com o Peru. E lúgubre. A roda que a freqüenta, dá-se como ultrachique.

Mme. Matilde, a cartomante do high-life, já teve criados de casaca e possui uma linda galeria de quadros. De todos os templos, o dessa senhora é o mais excêntrico. Mme. Matilde, para os íntimos a princesa Matilde, é uma criatura que fala com volubilidade.

Há alguns anos foi a Paris, onde estudou com Papus e Mme. de Thèbes. Conhece a cartomancia, a telepatia, o sonambulismo, a metafísica das estrelas, a quiromancia, coisas complicadas de que faz uma interessante confusão. Além de tudo isso, a princesa é crítica de pintura e interessa-se pelo movimento universal. Quando me anunciei, a agradável dama mandou iluminar o seu salão de visitas, e entre as colchas japonesas, os quadros de valor, os bibelôs do Oriente e as peles de tigres, fez a sua aparição.

Vinha de vestido vermelho, um vestido de mangas perdidas, donde os seus braços surgiam cor de ouro, e vinha com ela a essência capitosa de vinte frascos de perfume. Mme. Matilde embalsamava. Deixou-se cair num divã, passeou com as mãos pelo ar e disse:

- Estou cansadíssima. Se não me mandasse dizer quem era, não o teria recebido. Simpatizo com o seu ser.

Curvei-me comovido.

- Não podia falar das sacerdotisas do Futuro, sem ouvi-la.

- Já tem percorrido os templos do grande Deus?

- Alguns. Visitei oitenta, e há para mais de duzentos.

- Há templos de ouro, de prata, de cobre e de latão.

- Guardei para o fim o melhor.

- Meu caro, os verdadeiros templos do Futuro são de data recente entre nós. A sorte começou a ser descoberta aqui por negros da África imbecis e por ciganos exploradores. Depois apareceram as variações espíritas, os adivinhos que montavam casinholas receosas, reunindo ao estudo das cartas a necessidade dos despachos africanos. Uma crendice! As verdadeiras sacerdotisas datam de pouco tempo, são de importação e anunciam. Essas não se ocultam mais e dão consultas claramente.

- Como em Paris?

- Como em Paris. Não lhe falo de Papus, de quatro ou cinco sonâmbulas de fama universal, mas apenas da minha ilustre professora Mme. de Thèbes. Mme. de Thèbes em Paris é uma necessidade mundana como o clube, as premières, o grandprix.

Vai-se a Mmc. de Thèbes como se joga uma partida de boston. É uma necessidade elegante. Mme. de Thèbes tem hoje uma fortuna.

- E erra sempre.

- Nunca.

- É sacerdotisa por vocação?

- Sempre estudei as ciências ocultas por diletantismo. Das ciências ocultas saíram as ciências exatas, disse um grande mestre. Desde criança amei a antiguidade, tive o desejo de remontar ao Zoroastro, ao Zend-Avesta e aos Magos, com o prazer de descansar à beira do Nilo, de conhecer Plotino e os livros herméticos.

Depois, sempre fui dotada de uma grande força nervosa. Uma vez, levando amigas à casa de uma sonâmbula, resolvi estudar os truques das mercadorias e daí a minha conversão.

Nesse momento, como a profetisa ria, estendendo as mãos, vi-lhe na sinistra vários anéis complicados, e prendi-lhe os dedos, curioso das jóias e da mão.

- Está vendo os meus anéis? Este é africano, partido. Tem os signos do zodíaco - o tempo. Este outro guarda no fundo um berilo, por onde se enxerga a alma. Naturalmente é descrente?

- Sou filho de uma civilização muito parecida com a daquele imperador que precavidamente levantava templo aos deuses desconhecidos. Há em tudo alguma coisa a temer - o inexplicável. A história é uma afirmação de oráculos, de sonambulismo, de predições.

Eu guardara com religião a mão da pitonisa; Mme. Matilde, porém, ergue-se agitando os seus perfumes.

- E não teme? e não lhe parece sugestivo este interior? Não receia que daquele canto escuro surjam fantasmas, que, agarrando a sua mão, leia nessas linhas a desgraça irremediável?

- Se for assim - disse docemente -, que se há de fazer? É a vontade do Futuro...

- Pois, meu caro, pode ter a certeza de que não somos só as sacerdotisas do terrível Destino, somos as Consoladoras, a Teoria do Bem, as Sofredoras da Ilusão. Não sorria.

Sem nós, que seria das cidades? Os senhores andam à cata do documento humano. Nós temos à mão, todos os dias, as tragédias, os dramas e as comédias de que se faz o mundo. À nossa casa vêm as mulheres ciumentas, os que desejam a morte e os que desejam amor. Os adultérios, os crimes, os remorsos, a luxúria, as vergonhas fervilham. Nós consolamos.

Diariamente, nas casas de que tomou o número para indicá-las à polícia, encontram-se os conquistadores, os homens bem vestidos de que a polícia ignora os meios de vida; os senadores, os deputados, as pessoas notáveis, as atrizes, as cocottes, as senhoras casadas, os imbecis propondo coisas indecorosas e as almas dolorizadas.

Nós a todos damos o favo da ilusão... Quando morre meu pai? Meu marido abandona-me? Será minha a mulher de Sicrano? Fulana é fiel? Realiza-se o negócio? E nós aquietamos os instintos com o lenitivo do bem. Ainda há pouco tempo, entrou por esta sala uma menina em prantos. Era domingo. Não deito cartas aos domingos.

Neguei-me. Soluçou, pediu, ajoelhou. Logo que a vi, percebendo a sua agitação, espalhei as cartas ao acaso. A menina vai cometer um desatino! Ela olhou-me espantada. Sim, ia dali suicidar-se, porque a abandonara o amante, grávida e sem trabalho. Fiz as cartas dizerem que o amante voltava e a pequena não morreu.

- Cartas salvadoras!

- Dias antes aparecera um marido a interrogar-me a respeito do seu ménage, derruído por incompatibilidade de gênios. Ela escrevia-lhe cartas pedindo para voltar. Que devo fazer? Voltar! Mas teve amantes! É boa. Abandonada sem saber trabalhar e sem recursos queria o senhor que a pobre morresse? Depois foi-lhe o Sr. fiel? Não! Era lá possível a ela deixar de ter um amante?...

- Ou mesmo dois?

- Ou três, não vai ao caso. Ele refletiu e vivem os dois bem. Quantos desmandos evitamos, quantas desgraças, quantos escândalos! Recorda-se da história do oráculo de Delfos? É a história da prudência, de ser ambíguo para não se enganar. A nossa é muito mais difícil.

- Mente com franqueza.

- Diz verdades e consola. Muitas das minhas clientes vêm aqui apenas como um consolo. Contam as mágoas e vão-se.

- Que trabalho deve ter!

- Faço experiências até altas horas com o meu criado Júlio, e vou às estalagens, aos cortiços, ler grátis nas mãos dos pobres. Não imagina como sou recebida!

Deito cartas, leio nas mãos. É o estudo em que procedo sem perguntar para ter a certeza. E é certo! Adivinho coisas de há quatro e cinco anos passados, chego a descrever as roupas das pessoas distantes e prevejo. A previsão é de resto uma faculdade que desenvolvi.

- É feliz?

- Tudo quanto quero, faço.

- Tem talvez a alma de algum mágico antigo...

Mme. Matilde recostou o seu corpo elegante.

- Não: tive três vidas apenas. Da primeira fui físico, da segunda advogado e na terceira odalisca...

Oh! mistério! A sacerdotisa possuía o saber dos físicos, falava como um advogado e naquele momento tinha a inebriante doçura das odaliscas.

Peguei-lhe a mão e disse baixinho:

- Já um ocultista me afirmou que fui Nero e depois Ponce de Leon...

Ela riu um riso penado.

- Ponce atraído pelo mistério das mãos.

- Pela beleza.

- Todos nós temos a atração das mãos. A mão é um resumo do Céu. Cada astro tem a sua parte. Júpiter é o índex, Saturno o médio, o Sol o anular, Mercúrio Hermés o mínimo. A Lua tem a região do Sul, Marte todo o meio, onde se dão os combates da vida e Vênus o grande monte.

- É este o mais trabalhoso?

- Quase sempre.

Ergui-me, e vi numa outra sala, forrada de esteiras da Índia, um oratório onde ardiam lamparinas. Os santos, sob o halo de luz, que a ciência explica pelo raio n, como o esforço da atenção - tinham um olharzinho redondo e inexpressivo. Que diriam os coitados, santo Deus do Futuro?

- Neste meio de adivinhas, quiromantes e sonâmbulas é melhor ser impassível - dizia Mme. Matilde. - Às vezes protegem amores, são casas ambíguas.

- Mas as suas experiências?

- Pratico o sonambulismo como as cartas, a telepatia e a quiromancia, indo diretamente à alma que nós temos no fundo. Tudo é domínio. As últimas experiências do meu domínio tive-as com o conhecido pintor Hélios Seelunger. Curei o uma vez com água magnetizada. Desde então dizia-lhe às 2 horas de tal dia o senhor sofrerá um choque. Era tal qual.

Noutro dia sofria o choque. Fui eu de resto que lhe desvendei o futuro e a sorte nas mãos.

- E a transmissão de pensamento?

Já em Botafogo transmiti idéias a criaturas no Engenho Novo. Conhecem essas experiências poetas como Luís Edmundo, o padre Severiano de Resende, pintores como Amoedo. A minha amiga D. Adelina Lopes Vieira também as conhece.

Lembrei-me então de que Mme. Matilde era também literata.

- Mas as cartas?

- Quer vê-las?

Tocou o tímpano, apareceu um pequeno loiro com um sarcófago de prata em relevo. Mme. Matilde - a princesa para os íntimos - abriu-o com cuidado, e de dentro numa sombria apoteose de ouros e cores, as cartas do tarot, a papesse, o doido, o ás de ouro, o enforcado, o bateleur escamoteador surgiram tenebrosamente.

Mãos estendiam moedas de ouro, o ouro cintilava, em altos montes figuras sinistras apareciam. E estava ali a consolação universal, a consolação dos pobres e dos potentados! Nas mãos delicadas da feiticeira último grito rolava numa série de iluminuras a miragem enganadora do Futuro. Ela estendia as cartas nas luzes e eu recordava a origem antiga dessa doce ilusão, a vinda dos Boêmios.

- Quem sois vós?

- Sou o duque do Egito e venho com os condes e barões.

- Quem vos traz?

- A que precede o nosso cortejo e lê nos livros coloridos de Hermés o destino do mundo, a rainha das Cabalas, a sublime senhora do fogo e do metal! E em frente à multidão abriam o tarot como quem rasga o céu, o consolo infinito dos boêmios.

Eu estava ali como os camponeses da época de Carlos VI diante da senhora do metal - apenas, tanto a rainha como eu, um tanto mais descrentes.

Então curvei-me, depus o beijo que há muito sentia nos lábios, o beijo da devoção, na sua mão perfumada.

- Como em Paris! - fez ela, deixando que os meus lábios roçassem a extremidade dos seus dedos.

- Como na hora de sempre - murmurei -, o Medo, diante do Futuro.


Categoria: As Religiões do Rio
http://pt.wikisource.org/wiki/As_Sacerdotisas_do_Futuro

Sábado, 23 de Maio de 2009

A Sacerdotisa e o Hortus Conclusos




Na Idade Média os jardins dos mosteiros e castelos eram fechados. A influência romana fez os monges criarem seus jardins com ervas (os mosteiros tinham herbários e flores para doenças) e verduras para a cozinha.
O jardim (Hortus Clausus) era dividido em quatro partes (quatro elementos que explicam o mundo) com uma fonte no centro.
O Hortus Conclusos virou símbolo para Nossa Senhora e para a mulher, presa entre quatro paredes.

“Cântico dos Cânticos 4:12: Jardim fechado é minha irmã, minha noiva, sim, jardim fechado, fonte selada”.

Foi Isabella d`Este ( 1474) , grande mulher do renascimento ( conviveu com Leonardo, Tizian, etc) que abriu os jardins, tirou a mulher da clausura e a colocou num jardim lúdico.

A Sacerdotisa, do Tarô Medieval reproduz muito bem, o Hortus Conclusos. Para quem gosta da Idade Média, o Tarô Medieval é um prato cheio para fazer pesquisas.

Fontes: O Jardim – Márcia Tiburi e outros artistas

to.plugin.com.br/essapoa/jardim-cultura-19-04-07.pps
Ilustração: A Sacerdotisa – Medieval Tarot

O Cavaleiro preso na armadura




"Incentivado pelo progresso, o cavaleiro fez algo que nunca havia feito antes. Sentou-se tranqüilo e ouviu o silêncio. Ocorreu-lhe que, na maior parte de sua vida, nunca tinha realmente ouvido alguém ou alguma coisa"

Navegando pela net, encontrei por acaso, o livro:
O CAVALEIRO PRESO NA ARMADURA - ROBERTO FISHER - Ed. RECORD. Achei o nome bem sugestivo e resolvi dar uma pesquisada nas críticas e sinopses. Como ainda não tenho o livro em mãos, posto aqui, alguns comentários, por serem pertinentes e interessantes.
Trata-se da estória de um cavaleiro que vivia, há muito tempo, num reino muito antigo, cujo maior orgulho era sua armadura que brilhava ao sol e concedia-lhe, pensava ele, uma imagem de herói, já que passava todo seu tempo a salvar donzelas e a praticar outros atos que ele considerava "de bravura". Dedicou-se tanto o nosso herói a tal empreendimento que descuidou-se de suas próprias vida e familia. Tanto, que acabou por ser abandonado pela esposa, desanimada por não conseguir sequer ver seu rosto, uma vez que a este ponto, a armadura já era parte do marido. Não a tirava para comer, dormir, para nada!
Vendo-se sozinho, resolveu mudar de vida, mas, para sua surpresa, não conseguia mais livrar-se daquele monte de ferros grudados em seu corpo.
Foi aconselhar-se com o Rei, que havia saída para uma Cruzada, mas encontrou Bolsalegre, o bobo da corte que o aconselhou a procuar o Mago Merlin, o único que tinha sabedoria para ajudá-lo a livrar-se daquele incômodo. Ao sair, teve que pedir desculpas a Bolsalegre, já que,devido à dificuldade de locomoção com a armadura, pisou em seu pé com a pesada bota de ferro, e assim, vivia pedindo desculpas, porque esta sempre pisando em algumas pessoas, esbarrando e derrubando outras. Mas voltava sempre a pisar, derrubar e machucar pessoas.
Mas o Mago Merlin nunca tinha data certa para aparecer.
Desanimado, ele saiu em direção à floresta do mago, disposto a esperar por ele.
Certa manhã, já fraco pois mal conseguia se alimentar pelos furos do elmo que lhe cobria a face, quando finalmente deparou com o Mago e lhe disse que o procurava havia muito tempo. Felizmente para ele, estava fraco demais para fugir, pois segundo Merlin, para aprender não se pode fugir. E recebeu algumas tarefas que poriam a prova seu desejo de livrar-se da armadura e tornar-se feliz. Tais tarefas lançariam por terra toda sua arrogância, prepotência, preconceitos (não falava com os animaizinhos porque os considerava imbecis).
E foi assim que ele, obrigado humildemente a aceitar a ajuda de seus novos amigos animais, foi vencendo uma a uma, as tarefas impostas por Merlin. A cada tarefa, o sofrimento o fazia crescer um pouco mais. Passou por vários caminhos e castelos, os mesmos que normalmente todos temos que passar para nosso auto-conhecimento e crescimento , e que o levariam finalmente à liberdade e felicidade.

Resumo de Lúcia Gomes
http://pt.shvoong.com/tags/o-cavaleiro-preso-na-armadura/
Ilustração : Cavaleiro de Espadas - Medieval Tarot

Fica aqui a dica do livro para quem não quer enferrujar ou ficar preso a máscaras.

O CAVALEIRO PRESO NA ARMADURA - ROBERTO FISHER - Ed. RECORD

A Estrela




E eu que esperava fogos de artifício, esqueci que as estrelas não fazem barulho.

Clarice Lispector

Ilustração : A Estrela - Medieval Tarot

O Medo e a Lua





Arcano XVIII - A Lua - Pictorial Key Tarot

O Medo - Carlos Drummond de Andrade

Em verdade temos medo.
Nascemos no escuro.
As existências são poucas;
Carteiro, ditador, soldado.
Nosso destino, incompleto.
E fomos educados para o medo.
Cheiramos flores de medo.
Vestimos panos de medo.
De medo, vermelhos rios
Vadeamos.
Somos apenas uns homens e a natureza traiu-nos.
Há as árvores, as fábricas,
Doenças galopantes, fomes.
Refugiamo-nos no amor,
Este célebre sentimento,
E o amor faltou: chovia,
Ventava, fazia frio em São Paulo.
Fazia frio em São Paulo...
Nevava.
O medo, com sua capa,
Nos dissimula e nos berça.
Fiquei com medo de ti,
Meu companheiro moreno.
De nos, de vós, e de tudo.
Estou com medo da honra.
Assim nos criam burgueses.
Nosso caminho: traçado.
Por que morrer em conjunto?
E se todos nós vivêssemos?
Vem, harmonia do medo,
Vem ó terror das estradas,
Susto na noite, receio
De águas poluídas. Muletas
Do homem só.
Ajudai-nos, lentos poderes do
Láudano.
Até a canção medrosa se parte,
Se transe e cala-se.
Faremos casas de medo,
Duros tijolos de medo,
Medrosos caules, repuxos,
Ruas só de medo, e calma.
E com asas de prudência
Com resplendores covardes,
Atingiremos o cimo
De nossa cauta subida.
O medo com sua física,
Tanto produz: carcereiros,
Edifícios, escritores,
Este poema,
Outras vidas.
Tenhamos o maior pavor.
Os mais velhos compreendem.
O medo cristalizou-os.
Estátuas sábias, adeus.
Adeus: vamos para a frente,
Recuando de olhos acesos.
Nossos filhos tão felizes...
Fiéis herdeiros do medo,
Eles povoam a cidade.
Depois da cidade, o mundo.
Depois do mundo, as estrelas,
Dançando o baile do medo.

"Minha força está na solidão. Não tenho medo nem de chuvas tempestivas nem de grandes ventanias soltas, pois eu também sou o escuro da noite."
(Clarisse Lispector)

"No fundo, sabemos que o outro lado de todo o medo é a liberdade."
(Marilyn Ferguson)

Terça-feira, 19 de Maio de 2009




Curso Básico de Tarô On-line com seriedade e fundamento.

Taróloga responsável: Vera Chrystina da Costa Santos
http://tarotestudos.blogspot.com/

Comunidade no Orkut:
http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=112728

Graças às novas tecnologias, o tarô pode ser apresentado em um novo formato que possibilita que o conhecimento seja acessível a todos que desejam aprender um novo saber.
Encurtando as distâncias entre cidades e outros estados, o curso de tarô on-line, permite ao aluno a possibilidade de fazer um curso em casa, confortavelmente instalado em sua intimidade, sem a preocupação com trânsito, estacionamento ou falta de tempo.
O fato de o conhecimento ser passado via voz ou imagem não inviabiliza a seriedade dos estudos e para isso é necessário que os alunos interessados tenham à mão um Tarô completo e como referência de livro de pesquisa e estudo, sugiro o “Curso Completo de Tarô – Nei Naiff – Ed. Nova Era, que inclui os 78 Arcanos do Tarô. O livro pode ser adquirido pela Editora Nova Era (21) 2585-20-02 sem sair de casa e em outras livrarias on-line.

Duração do Curso: Quatro meses, aula uma vez por semana com duas horas de duração.

Investimento: 160,00 reais (mensal)
Número mínimo de participantes: Três

É necessário que os interessados entrem em contato para agendarmos o melhor dia e horário para o bem – estar da turma.

O curso será efetuado pelo SKYPE via voz. Para quem não possui o Skype, ele é simples e fácil de instalar. Maiores informações para a instalação do Skype você encontra aqui: http://www.baixaki.com.br/download/skype.htm

Programa:

Arcanos Maiores

Estrutura dos Arcanos Maiores
Ritmo dos Arcanos Maiores nos planos (Mental, Afetivo, Sexual, Material e Espiritual)

Arcanos Menores

Estrutura dos Arcanos Menores
A Numeração
Os Naipes
As Cartas da Corte

Interação entre os Arcanos Maiores e Menores na leitura e interpretação simbólica

Métodos

Mandala
Templo de Afrodite
Peladan
Clementine
Cruz Celta

Maiores informações
Tel: (11) 3085-9994 ou no e-mail: verachrystina@terra.com.br

Atendimento On-line de Tarô

As consultas são feitas através do MSN ou SKYPE, via microfone, com vídeo ou sem vídeo.
O atendimento e o agendamento da consulta é realizado após o depósito bancário.

Duração da Consulta: Uma hora e trinta minutos

Preço da Consulta: 100,00 reais.

Email: MSN: verachrystina@hotmail.com
Skype: Vera Chrystina da Costa Santos (Veratarot)

Atenciosamente,

Vera Chrystina

Domingo, 10 de Maio de 2009

Agir contra o destino